Como fazer uma boa passagem de plantão
A passagem de plantão é um dos momentos de maior risco do dia hospitalar. É quando a responsabilidade pelo paciente muda de mãos, e cada informação que não é dita vira um buraco que o próximo plantonista terá que preencher correndo. Comunicação falha na transição de cuidado está entre as causas mais comuns de eventos adversos evitáveis. A boa notícia é que uma passagem melhor não depende de mais tempo, depende de método.
O que não pode faltar
Independente do formato, uma passagem completa cobre estes pontos para cada paciente:
- Identificação, leito e diagnóstico principal.
- Situação atual e o que mudou no plantão.
- Condutas em andamento (antibiótico, drogas vasoativas, dieta).
- Pendências: exames a colher, resultados a checar, reavaliações.
- Sinais de alerta e o que fazer se eles aparecerem.
Use uma estrutura: SBAR
O SBAR é o esqueleto mais usado para passar caso sem se perder. Ele força a sequência da informação:
- S — Situação: quem é o paciente e o problema agora.
- B — Background: o contexto relevante (comorbidades, o que aconteceu até aqui).
- A — Avaliação: sua leitura do quadro.
- R — Recomendação: o que fica pendente e o que esperar.
O ganho do SBAR não é a sigla, é a disciplina de sempre terminar na recomendação, ou seja, no que o próximo plantonista precisa fazer.
Checklist rápido antes de entregar o plantão
- Lista de pacientes atualizada, sem nome de quem já recebeu alta.
- Pendências de cada leito escritas, não só faladas.
- Exames pendentes marcados com o que fazer quando saírem.
- Pacientes instáveis ou "de olho" sinalizados primeiro.
- Prescrições e dúvidas em aberto registradas.
Documente: não confie só na memória
A passagem verbal é importante, mas memória no fim de um plantão de 12 horas é um péssimo sistema de backup. Uma lista escrita e atualizada ao longo do turno evita que a pendência das 4h da manhã se perca às 7h. Por isso muitos plantonistas mantêm um bloco de notas digital sempre aberto: ele acompanha a evolução do dia e está pronto na hora da passagem.
Se você ainda usa papel ou o bloco de notas genérico do celular, vale conhecer o Notemed, um bloco de notas para médicos. Ele tem editor rich-text, busca de CID-10, calculadora de infusão e sincroniza em tempo real entre celular e computador, então a sua lista de plantão está igual no aparelho que estiver na mão. É um caderno feito para o fluxo da medicina, não adaptado dele.
Exames na passagem: uma linha, não um print
Resultado de exame é onde a passagem mais trava. Ninguém quer ouvir valor por valor nem rolar a tela de um PDF no meio do corredor. O ideal é que cada coleta apareça em uma única linha, abreviada e comparável com a do dia anterior. Montamos um padrão pronto em modelo de evolução médica com exames em uma linha e a referência de siglas em abreviações de exames laboratoriais.
Para chegar nessa linha sem redigitar, o Fastlabs transforma o laudo colado em um resumo abreviado e pronto para a evolução, com a anonimização dos dados do paciente acontecendo no próprio dispositivo.
Erros comuns que sabotam a passagem
- Passar tudo de cabeça e esquecer a pendência mais importante.
- Detalhar demais o estável e correr no instável.
- Não dizer o que fazer se um sinal de alerta aparecer.
- Deixar resultado de exame "para o outro ver depois".
Passagem boa é curta, estruturada e escrita. O resto é treino, e um par de ferramentas que tiram o trabalho manual do caminho.