Como fazer uma boa passagem de plantão

17/06/20267 min de leitura

A passagem de plantão é um dos momentos de maior risco do dia hospitalar. É quando a responsabilidade pelo paciente muda de mãos, e cada informação que não é dita vira um buraco que o próximo plantonista terá que preencher correndo. Comunicação falha na transição de cuidado está entre as causas mais comuns de eventos adversos evitáveis. A boa notícia é que uma passagem melhor não depende de mais tempo, depende de método.

O que não pode faltar

Independente do formato, uma passagem completa cobre estes pontos para cada paciente:

  • Identificação, leito e diagnóstico principal.
  • Situação atual e o que mudou no plantão.
  • Condutas em andamento (antibiótico, drogas vasoativas, dieta).
  • Pendências: exames a colher, resultados a checar, reavaliações.
  • Sinais de alerta e o que fazer se eles aparecerem.

Use uma estrutura: SBAR

O SBAR é o esqueleto mais usado para passar caso sem se perder. Ele força a sequência da informação:

  • S — Situação: quem é o paciente e o problema agora.
  • B — Background: o contexto relevante (comorbidades, o que aconteceu até aqui).
  • A — Avaliação: sua leitura do quadro.
  • R — Recomendação: o que fica pendente e o que esperar.

O ganho do SBAR não é a sigla, é a disciplina de sempre terminar na recomendação, ou seja, no que o próximo plantonista precisa fazer.

Checklist rápido antes de entregar o plantão

  1. Lista de pacientes atualizada, sem nome de quem já recebeu alta.
  2. Pendências de cada leito escritas, não só faladas.
  3. Exames pendentes marcados com o que fazer quando saírem.
  4. Pacientes instáveis ou "de olho" sinalizados primeiro.
  5. Prescrições e dúvidas em aberto registradas.

Documente: não confie só na memória

A passagem verbal é importante, mas memória no fim de um plantão de 12 horas é um péssimo sistema de backup. Uma lista escrita e atualizada ao longo do turno evita que a pendência das 4h da manhã se perca às 7h. Por isso muitos plantonistas mantêm um bloco de notas digital sempre aberto: ele acompanha a evolução do dia e está pronto na hora da passagem.

Se você ainda usa papel ou o bloco de notas genérico do celular, vale conhecer o Notemed, um bloco de notas para médicos. Ele tem editor rich-text, busca de CID-10, calculadora de infusão e sincroniza em tempo real entre celular e computador, então a sua lista de plantão está igual no aparelho que estiver na mão. É um caderno feito para o fluxo da medicina, não adaptado dele.

Exames na passagem: uma linha, não um print

Resultado de exame é onde a passagem mais trava. Ninguém quer ouvir valor por valor nem rolar a tela de um PDF no meio do corredor. O ideal é que cada coleta apareça em uma única linha, abreviada e comparável com a do dia anterior. Montamos um padrão pronto em modelo de evolução médica com exames em uma linha e a referência de siglas em abreviações de exames laboratoriais.

Para chegar nessa linha sem redigitar, o Fastlabs transforma o laudo colado em um resumo abreviado e pronto para a evolução, com a anonimização dos dados do paciente acontecendo no próprio dispositivo.

Erros comuns que sabotam a passagem

  • Passar tudo de cabeça e esquecer a pendência mais importante.
  • Detalhar demais o estável e correr no instável.
  • Não dizer o que fazer se um sinal de alerta aparecer.
  • Deixar resultado de exame "para o outro ver depois".

Passagem boa é curta, estruturada e escrita. O resto é treino, e um par de ferramentas que tiram o trabalho manual do caminho.

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